Se você tem um carisma missionário e é um jovem que ama Deus, a Igreja e o irmão, venha fazer parte do nosso grupo, não fique de fora dessa!
quarta-feira, 15 de abril de 2015
sábado, 11 de abril de 2015
Via sacra da Juventude
Ocorreu no dia 3 de abril de 2015, sexta-feira santa, a Via sacra encenada pela juventude da Paróquia do Mártir São Sebastião e da Região Pastoral Cristo, luz dos povos (uma rede de comunidades que se prepara para ser mais uma paróquia de Varginha). A encenação iniciou-se na igreja Nossa Senhora Aparecida e terminou na igreja Matriz do Mártir São Sebastião, iniciando com o horto das Oliveiras e terminando com o descendimento de Jesus da cruz.
Por onde passava a caminhada, as cenas atraiam olhares das pessoas que passavam pelo local. O teatro tornou-se, então, uma forma de evangelizar, transmitindo os passos de Cristo, que nos conduz na missão, para muitas pessoas que revivem estes momentos na certeza e na esperança de Ressurreição.
Organizada pelos próprios jovens contou com o apoio dos diversos grupos da cidade: Juventude Missionária, Legião de Maria Jovem e acólitos (Paróquia do Mártir), EAC (Encontro de Adolescentes com Cristo) e Jovens de Assis (Paróquia Santa Clara), que ajudaram nas cenas com reflexões da Campanha da fraternidade 2015.
Nossos agradecimentos a todos que colaboraram!
Confira as fotos:
A formação do jovem discípulo
A vocação e o compromisso de ser discípulo missionário de Jesus, hoje em dia, implicam em se dispor à capacitação. O discipulado ao Nazareno requer clara opção pela formação e deve ocorrer em todas as dimensões que compõem o ser humano. “Com Ele podemos desenvolver as potencialidades que há nas pessoas e formar discípulos missionários” (DAp 276). Os caminhos da formação do jovem missionário têm o convite pessoal de Jesus como seu primeiro passo. Esse convite feito pela comunidade é um chamado ao amadurecimento na missão do próprio filho de Deus. Por sua vez, além de exigir uma resposta radical – sim ou não - também demanda dedicação e empenho.
O itinerário que devemos percorrer e todo o processo de formação do jovem missionário têm como missão nos ajudar a encontrar sempre com Jesus e, assim, o reconhecer no irmão. Acolhê-Lo principalmente nos pobres e anunciá-Lo em todas as realidades (cf. DAp 279).
A espiritualidade libertadora e profética a que somos chamados a alimentar faz, da vida, a morada do sagrado. A partir da sensibilidade ao Espírito Santo, a juventude, que é missionária, tem como urgência fazer brotar a semente do Verbo nas periferias geográficas ou existenciais, como nos lembra o papa Francisco. Para isso, a nossa formação deve abranger diversas dimensões, as quais se integram harmonicamente ao longo do tecer dos fios que formam a teia de uma nova solidariedade que está “à altura da vida nova em Cristo” (DAp 281). Essa teia é tecida com fios das dimensões humanas, comunitárias, espirituais, intelectuais e pastorais e tem como agulha de tear a dimensão missionária (cf. DAp 280).
A Escuta
As juventudes estão envoltas por inúmeras propostas de vida. É a fase de firmar convicções e organizar o futuro. É tempo de formar-se para o amadurecimento profissional, emocional, humano e espiritual a fim de conservar a harmonia entre todas as dimensões que compõem o sujeito. Por isso, a juventude é uma fase em que se vive inquieto e na qual as incertezas afloram mais do que em qualquer outro tempo. Por isso é preciso parar e escutar, de novo, o Senhor Jesus, a Sua Palavra que é sua pessoa. No primeiro módulo somos chamados à escuta atenta de nosso eu, do meu irmão e das realidades do mundo para assim encontrar Jesus em todas elas.
O Encontro
As juventudes do nosso Continente, principalmente a da América Latina, nasceram em uma cultura religiosa. Por mais que se viva em uma cultura pluricultural e secular, os nascidos a partir dos anos 1980 têm sua infância marcada pela tradição cristã. Por isso, é uma realidade considerada “evangelizada”. Somos batizados, recebemos os sacramentos da confirmação do batismo, vamos à missa frequentemente. Mas, conhecemos a quem seguimos? Qual é sua proposta de vida? Quem é Ele de fato? No segundo módulo os grupos de Juventude Missionária são convidados a investigar a vida de Jesus e reinculturar a fé para reencontrar-se com o Nazareno.
O Seguimento
Toda pessoa amadurece sua fé no conhecimento, amor e seguimento a Jesus (cf. DAp 278). Encontrar-se com o Messias e assumir o compromisso de segui-Lo implica compreender sua pessoa e as perspectivas da humanidade inauguradas por Ele. É preciso ter a clareza de saber que não se está seguindo um mágico ou um empresário bem sucedido, mas o humano completo que, a partir da pobreza, iniciou o Reino de justiça e paz. Jesus foi enviado ao mundo como mediador entre Deus e os seres humanos. Viveu na história e habitou o mundo. No terceiro módulo da JJM somos convidados a viver o seguimento ao Jesus histórico e, assim, compreendê-lo presente no meio de nós, encarnado nas pessoas, principalmente nos mais sofredores.
A Missão
A missão nasce da escuta, como transbordamento do encontro com a pessoa de Jesus de Nazaré. Surge da intimidade com Ele. Do encantamento. Do discipulado. “Quem se apaixona por Jesus Cristo, deve igualmente transbordar Jesus Cristo” (DGAE 2011-2015). Se chegará à missão caso seja bem desenvolvido o processo da escuta, do encontro e do seguimento. Para isso, é preciso seguir as opções de Jesus, como desejo de imitá-Lo. Nesse itinerário somos convocados a fazer da alegria e da esperança, da tristeza e da angústia dos seres humanos do tempo atual, sobretudo dos pobres e dos aflitos, também a nossa alegria e esperança, nossa tristeza e angústia, já que em Jesus assumimos a aliança com o mundo. (cf. GS 1). Assim, a partir da espiritualidade martirial de inteira doação, o quarto módulo nos convida para a missão junto às realidades que mais necessitam para que sejamos presença de Jesus junto aos que ainda estão crucificados.
A Jornada do Jovem Missionário
O caminho a ser percorrido no ano de 2015, a partir da Jornada do Jovem Missionário (JJM), deseja disponibilizar aos jovens os fios para que sejam protagonistas no tecer da história de suas vidas, da vida dos grupos, da caminhada da Igreja e da transformação da sociedade. É uma proposta que almeja nos educar na fé e em sua mundialidade e, assim, permitir um verdadeiro encontro, seguimento e anúncio de Jesus de Nazaré, o humano completo.
A JJM será disponibilizada mensalmente a partir de abril no site das Pontifícias Obras Missionárias (www.pom.org.br). Ela é uma construção mútua das coordenações estaduais da Juventude Missionária com o trabalho de missionárias e missionários que se dispuseram a colaborar no processo de formação das juventudes.A construção da JJM merece fazer um agradecimento especial ao padre Maurício Jardim, membro do clero da arquidiocese de Porto Alegre (RS), e ao jovem Marciano Pereira, professor de filosofia em Passo Fundo (RS).
Como uma catequese permanente, a vida dos grupos de Juventude Missionária deve recordar que o caminho de formação dos primeiros cristãos “teve sempre o caráter de experiência, na qual era determinante o encontro vivo com Cristo” (cf. DAp 290). Essas são características dos primeiros cristãos que devemos comungar e seguir. Ela implica em permanente saída e o constante diálogo com a vida em sociedade.
Para 2015 a JJM foi organizada em quatro módulos. A orientação é que cada módulo seja vivenciado durante dois meses, por sua composição em dois temas geradores. Cada tema gerador respeita a pedagogia das quatro áreas integradas (ver, julgar, agir e celebrar), a qual garante o carisma e a metodologia das Obras Missionárias.
Guilherme Cavalli,
Secretário Nacional da Pontifícia Obra da Propagação da Fé
Os materiais da Jornada do jovem Missionário podem ser acessados no site:
http://www.pom.org.br/index.php?option=com_content&view=article&id=3975:campanha-missionaria-2014&catid=15:juventude-missionaria&Itemid=110quarta-feira, 4 de março de 2015
Pois eu vim para servir!
Texto publicado no informativo paroquial "A voz do Mártir!" de nossa paróquia
Caros
amigos,
Vivemos
a quaresma! Ao contemplar os mistérios da nossa salvação somos chamados a uma
maior aproximação de Deus, experiência necessária a todo cristão. Mais que algo
repetitivo, presente todos os anos no calendário litúrgico, este é o momento de
olhar para nós, rever nossas atitudes e mudar a direção dos caminhos que nos
afastam do projeto de amor do Pai. E
isso é sempre preciso!
Jesus
veio ao mundo e ensinou a necessidade do serviço aos irmãos, além disso Ele
mesmo deu o exemplo. “Eis que eu vos dou o meu novo mandamento: Amai-vos uns
aos outros como eu vos amei!” (cf Jo 13, 34). Dito isso, o Filho de Deus
coloca-se a lavar os pés de seus apóstolos para ensiná-los, e a cada um de nós,
a necessidade de se doar uns pelos outros. Se Ele, o Cristo, o fez, e nós como
devemos agir? Seguir seu exemplo!
Na
prática talvez pareça um pouco complicado, mas basta compreendermos quem nos
cerca e experimentarmos a caridade, à luz do Evangelho, como discípulos e
missionários de Cristo! É necessário um
novo mundo, uma nova sociedade. Entretanto, isso só será possível quando
assumirmos nosso protagonismo e construirmos uma “Igreja solidária, servidora e
Missionária que anuncia e sabe ouvir”.
Gabriel H. da Silva
Coordenador da JM na Paróquia do Mártir São Sebastião
Gabriel H. da Silva
Coordenador da JM na Paróquia do Mártir São Sebastião
quinta-feira, 26 de fevereiro de 2015
Leitura orante da Bíblia
Dentro do tema destas quatro áreas integradas, A espiritualidade que alimenta a missão, propomos a leitura orante da Bíblia.
Pontos que orientam a leitura orante pessoal da Bíblia
Para um compromisso sério com a sua caminhada, os
missionários necessitam cultivar momentos profundos de espiritualidade. A
experiência tem mostrado que as crianças, adolescentes e jovens são capazes de
viver profundamente estes momentos.
Jesus comparou a Palavra de Deus a uma lâmpada. A
lâmpada não é para ser olhada: devemos é olhar para o que a lâmpada está
iluminando (cf. Mi 5,15). Assim também a Bíblia: foi feita para iluminar o
chão de nossas vidas. Com a sua luz, saberemos o que deve ser
"consertado", para sermos novamente conforme o sonho de Deus.
Misturando Bíblia e Vida, os pobres viram refletida na Bíblia a vida deles e
convenceram-se de que, como na época do povo da Bíblia, em que Deus ouviu o
clamor dos pobres e caminhou lado a lado com eles, também hoje, por meio das
Escrituras Sagradas, da vida e da comunidade, Deus continua falando.
Os jovens missionários, alimentados pela Leitura
Orante da Bíblia, mostram que amam Jesus, fazendo o que Ele fez: empenham-se
pela igualdade, justiça, fraternidade, a fim de que toda a riqueza do mundo
seja partilhada e todos tenham uma vida digna.
A Leitura Orante da Bíblia é como um colírio: limpa
os olhos embaçados, para que se comece a enxergar com os olhos de Deus. Não é
um momento de estudo, nem um tempo para preparar um trabalho pastoral: é um
momento de leitura da Palavra de Deus e de escuta do que ela nos diz
pessoalmente, para melhor viver o Evangelho de Jesus.
Pontos que orientam a leitura orante pessoal da Bíblia
1 - Faça-se em mim segundo a tua palavra. O momento da Leitura orante da Bíblia
não é um momento de estudo nem um tempo para realizar um trabalho pastoral, ou
adquirir mais conhecimento. É, antes de tudo, um momento de ler a Palavra de
Deus e escutar o que esta palavra tem a nos dizer para melhor viver o Evangelho
de Jesus Cristo. Nesse momento é necessário ter a atitude que o velho Eli
recomendou ao menino Samuel: "(...) Fala, Senhor, que teu servo
escuta (...)" (1ºSm 3,9). Esta também foi a atitude obediente de
Maria: "Faça-se em mim segundo a tua palavra” (Lc 1,38).
2 - Invocar o Espírito: É o momento em que se deve estar
aberto à docilidade do Espírito Santo. Escutar Deus não depende da pessoa, mas
Dele. É um momento de gratuidade por parte do Pai. Para isso é preciso um
preparo vigilante na oração, no silêncio para descobrir o sentido que a
Palavra de Deus tem para cada um, hoje.
3 - Criar um ambiente de recolhimento, que se torne o espaço sagrado. É o
momento do silêncio. Lugar de recolhimento. Ler a Bíblia é como visitar um
amigo. Os dois exigem o máximo de atenção, respeito, amizade, entrega e escuta
atenta. Uma boa posição do corpo favorece o recolhimento da mente.
4 - Receber a Bíblia como Livro da Igreja. Ao abrir a Bíblia deve-se estar
consciente que esse livro não é propriedade pessoal mas da comunidade. A
leitura orante é o barco que nos conduz pelas curvas do rio até o mar. É luz
que ilumina as noites escuras da vida. Mesmo que se esteja só realizando este
momento de oração, estarão junto todos os que já fizeram esta experiência
amorosa de Deus.
5 - Ter uma correta atitude interpretativa diante
da Bíblia. Para
isso deve-se estar atento a 3 passos ou atitudes:
1° Conhecer, respeitar, situar, ver o que o
texto diz. Para isso é importante manter o silêncio, evitar que se leve o
texto a dizer só aquilo que se gosta de escutar.
2° É o momento da meditação: ruminar, dialogar,
atualizar. Perguntar-se: O que o texto diz para mim, para nós? Entrar em
dialogo com o texto. Ligar o texto com a vida que a gente vive, com a
realidade.
3° Oração: Suplicar, louvar, recitar. O que o texto
faz dizer a Deus? É o momento de prece, de vigiar em oração. Chegou a hora de
se responder a Ele.
6 - Colocar-se aberto à palavra para chegar à
contemplação. Enxergar,
saborear, agir. Contemplar é ter nos olhos algo da sabedoria que leva à
salvação; ver o mundo, a vida com os olhos dos pobres, com os olhos de Deus;
excluir de si tudo o que vem do poder; saborear, desde já, algo do amor de Deus
que supera todas as coisas; o amor de Deus se revela no amor ao próximo; dizer
sempre: "faça-se em mim segundo a tua Palavra" (Lc 1,38).
7 - Procurar, por todos os meios, que a
interpretação seja fiel. Para
que o momento da oração não fique só na conclusão dos próprios sentimentos é
necessário levar em conta três exigências:
1ª O resultado da oração deve ser confrontado com a fé
da Igreja, isto é, com a fé da própria comunidade.
2ª Confrontar com a realidade da vida em que se vive.
Estar atento à fé da Igreja. O fraco resultado da oração é consequência de uma
não atenta escuta da voz de Deus.
3ª Confrontar sempre o resultado da oração com a
exegese. A leitura orante não pode ficar parada na letra. Deve procurar o
sentido do Espírito (2Cor 3,6).
8 - Imitar o exemplo de Paulo. São Paulo dá os seguintes conselhos:
1° A palavra foi escrita para a nossa instrução (1ºCor
10,11).
2° Voltar o olhar para Jesus Cristo, pois só com Ele
cai o véu e a escritura se revela como sabedoria que leva à salvação.
3° Paulo fala de "Jesus Cristo
Crucificado", "escândalo para uns e loucura para outros"
(2ºCor 2,2; 1ºCor l,21s). Foi Ele que abriu os
olhos para perceber a Palavra viva no meio dos
pobres.
4° Misturar o eu e o nós, nunca só o eu e nunca só o
nós!
5° Ter presente os problemas: pessoais,
familiares, comunitários, da Igreja, do povo, das comunidades.
9 - Descobrir na Bíblia o espelho do que vivemos
hoje. Ter
presente que o texto que se leu não é só uma janela por onde se olha para
saber o que aconteceu no passado; é também um espelho, para ver o que acontece
com a gente, hoje.
10 - Interpretar a vida com a ajuda da Bíblia. Na leitura orante da Bíblia, o
objetivo último não é interpretar a Bíblia, mas interpretar a vida. Celebrar a
palavra viva que Deus fala hoje na vida de cada um, na vida do povo, na
realidade do mundo em que se vive.
quarta-feira, 25 de fevereiro de 2015
Igreja na sociedade - Dom Walmor Oliveira de Azevedo
É tempo da Quaresma, quando os discípulos e discípulas de Jesus são chamados a escutar a Palavra de Deus com redobrada atenção amorosa para alcançar uma qualificação humana e espiritual. Esse percurso educativo é indispensável para a conquista de uma vida mais saudável, construída na justiça como projeto de paz. Trata-se de um aperfeiçoamento que ocorre na interioridade de cada pessoa. Promove a superação de desgastes, sofrimentos e disputas que abatem a condição humana. Perdida a unidade interior, inevitáveis são os comprometimentos na vida cidadã, no testemunho da fé e na conduta individual e comunitária. Crescem os desvarios que ocorrem na sociedade contemporânea, marcada pela iluminação instrumental da razão e pelas possibilidades dos grandes avanços tecnológicos.
De um lado, o espetacular das conquistas e da modernização. Do outro, o cenário injusto da miséria e exclusão de tantos pobres, a vergonha da corrupção, o horror da violência e a superficialidade que a sociedade do descartável alimenta nos corações. É preciso silenciar, escutar com maior acuidade, recuperar o sentido determinante do outro na própria vida, o lugar inigualável de Deus na existência de cada um e no coração da história. Fundamental também é a disposição para remodelar-se, não exteriormente, nas aparências, mas no fundo do coração. A interioridade é o núcleo central de comando ético e moral que sustenta condutas balizadas pela justiça, pelo amor e pela coragem da solidariedade.
Por isso mesmo, a Igreja celebra o tempo quaresmal convidando todas as pessoas a percorrerem esse caminho de quarenta dias para vivenciar, de modo adequado, a Páscoa de Jesus Cristo, o único projeto de verdadeiro resgate e salvação da humanidade. Um tempo para a checagem da qualidade humana e espiritual, na certeza de que é possível encontrar as indicações das mudanças necessárias, capazes de fazer da própria vida uma base fundamental que sustenta a construção de uma sociedade mais justa.
Como ocorre há mais de cinquenta anos, a Igreja no Brasil vivencia o tempo da Quaresma promovendo a Campanha da Fraternidade. O tema e o lema da Campanha em 2015 – “Fraternidade: Igreja e Sociedade” e “Eu vim para servir” (cf. Mc 10,45) – constituem, neste ano, o horizonte inspirador e de confronto. A indicação da condição de servidor vem do próprio Jesus, o que Ele diz de si mesmo, na obediência amorosa a seu Pai. Trata-se, portanto, de característica inegociável e insubstituível de quem é discípulo de Cristo. Esse serviço é à vida, aos pobres, a cada pessoa, à cultura da paz. Busca a justiça e a superação das exclusões, que perpetuam a violência.
O despertar da consciência de estar a serviço, em nome do Mestre Jesus, em tudo o que se faz – no âmbito profissional, familiar, até naquele da vivência da fé e da disposição ao voluntariado para recuperar e promover a dignidade sagrada de toda pessoa – é o caminho revolucionário que a Igreja sabe que precisa trilhar. Nessa trajetória, a Igreja reconfigurará o seu verdadeiro rosto, superando suas incoerências, considerados os seus funcionamentos e a sua organização interna, particularmente a conduta de seus pastores, ministros e servidores. Essa é a coragem que a própria Igreja precisa revigorar, no mais íntimo de si, conforme indica o Papa Francisco ao dizer: “Prefiro uma Igreja acidentada, ferida e enlameada por ter saído pelas estradas, a uma Igreja enferma pelo fechamento e comodidade de se agarrar às próprias seguranças. Não quero uma Igreja preocupada com ser o centro, que acaba presa num emaranhado de obsessões e procedimentos”.
A Igreja Católica assume esse desafio em busca de conversão, de respostas novas e adequadas, de olhar para si no contexto da sociedade contemporânea para servir ainda mais, anunciando o Evangelho. Um compromisso com a vida de todos, sobretudo dos pobres e sofredores, que é iluminado pela convicção e pelo anúncio do Reino de Deus a caminho do qual estamos. Partilhamos a certeza de que há uma vida definitiva a desabrochar plenamente para além deste tempo, garantia incontestável da Páscoa do Senhor Jesus. Em espírito de escuta, de profunda humildade, a Igreja, congregação dos discípulos de Jesus, deixa-se interpelar pela indispensável revisão. Assim, busca avançar ainda mais na vivência e no testemunho da caridade, que transforma e efetiva a missão de servidora que tem a Igreja na sociedade.
Dom Walmor Oliveira de Azevedo
Arcebispo de Belo Horizonte (MG)
Fonte: Portal católico
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